quinta-feira, 25 de março de 2010

interdependência natural entre seres vivos e suas rentáveis fontes de energia

A economia da natureza
Os seres vivos sempre fazem parte de comunidades heterogêneas, mantendo, com o meio físico e entre si, relações de interdependência, ainda que remotas. Cada espécie necessita de substâncias ou componentes básicos do meio para sua alimentação, reprodução e proteção. Além disso, há exigências quanto à estrutura e topografia do ambiente para que a espécie desenvolva seus hábitos característicos.
Tudo isso faz com que cada espécie somente se desenvolva em ambiente onde existam composição e estrutura favoráveis, chamado de habitat, de maneira geral. Mas o ambiente ou habitat não é constituído exclusivamente pelo meio físico. Frequentemente, o nicho ecológico, isto é, o alimento, o material para a construção de ninhos ou os meios de proteção, são oferecidos ou disputados por outros seres vivos, seus concorrentes ou predadores.
A integração equilibrada de todos esses fatores (físicos, químicos e biológicos), é que permite e regula a sobrevivência, o desenvolvimento e o equilíbrio populacional de uma determinada espécie biológica. Nesses ciclos ecológicos, há uma reciprocidade na qual a economia da natureza não significa o predomínio desta ou daquela espécie; significa, sim o desenvolvimento harmônico e equilibrado de todos os seres vivos.

O desequilíbrio
Quando o meio ambiente não é capaz de fornecer as condições exigidas para a vida - nutrição, reprodução e proteção - ele se torna impróprio à sobrevivência do ser vivo. O sapo-boi, por exemplo, destrói certos besouros que prejudicam o cultivo da cana-de-açucar.
Entretanto, ele também se alimenta de insetos destruídores de moscas transmissoras de doenças. Como o sapo-boi prolifera com facilidade (vive 40 anos e põe 40 mil ovos por ano), é perigoso colocá-lo em regiões onde não existam outras espécies que possam devorá-lo, pois desta forma o equilíbrio ecológico não será mantido. É, por um outro lado, o sapo-boi que é tão bom para a agricultura, é também o responsável indireto pela proliferação de doenças.
O próprio homem se encarrega de quebrar o ciclo natural da sobrevivência. E em nome do conforto, do bem estar - e mais, do poder - o homem está transformado o seu meio ambiente, trazendo a poluição e provocando tragédias ecológicas.
Isso porque não está sabendo explorar adequadamente os recursos renováveis e não-renováveis da natureza. Até meados do século 19, a atividade do homem não concorria de forma tão acentuada para provocar mudanças drásticas que pudessem alterar a biosfera. A partir de revolução industrial, entretanto, e das grandes guerras mundiais, é que essas transformações começaram a ser sentidas com intensidade. É nessa época que a Inglaterra começa a conhecer os problemas de poluição do ar e da água.
A medida que o homem foi adaptando o meio ambiente às suas exigências progressistas, criando vacinas, meios de transportes, novas habitações, aparelhos sofisticados, novas formas de energia, explorando desordenadamente os recursos naturais, foi causando impactos e poluindo o ambiente.
A explosão demográfica também teve sua influência: tendo necessidade de maior quantidade de alimentos, o homem precisou preservá-los, utilizando irracionalmente os defensivos agrícolas na lavoura e na indústria.

A troca de energia
O que aconteceu é que o homem partiu de uma visão puramente naturalista quanto à relação dos seres vivos com seu ambiente, para um pensamento imediatista, de explorar avidamente todos os recursos oferecidos pela natureza.
Antes, ele achava que as florestas, os rios, por exemplo, eram e deviam ser mantidos como verdadeiras obras de arte - levando em consideração apenas o lado estético, sem se preocupar com sua própria atividade, como se não fosse parte integrante da natureza. Mais tarde, só teve preocupação de tirar proveito desses recursos a qualquer custo, aqui e agora, sem pensar nas populações futuras.
Embora esse enfoque ainda persista em certos setores da humanidade, o homem já percebeu (ou está percebendo) que a utilização indiscriminada ou inadequada do meio ambiente poderá levar não ao bem estar das pessoas, mas à destruição da vida no Globo. Percebeu ou está percebendo que a economia da natureza não deve significar o poderio econômico de alguns, mas sim a distribuição ou troca dinâmica e racional da energia produzida, visando a uma reciprocidade ou equilíbrio harmônico para o convívio das espécies vivas.
Dessa forma, um terceiro enfoque da ecologia é o que reconhece a existência dos recursos naturais, a necessidade de sua exploração para que o homem possa sobreviver. E também a necessidade imperiosa do estabelecimento de normas e medidas que racionalizem as atividades humanas e a utilização do ambiente.


Ecologia
-Quem utilizou, pela primeira vez, o termo ecologia, em 1866, foi o naturalista alemão Ernest Haeckel, propagador das idéias de Darwin. Ele a definiu como "economia biológica ou economia da natureza", ou ainda "ciência dos costumes dos organismos, suas necessidades vitais e suas relações com outros organismos" e mais, como "o estudo das relações de um organismo com seu ambiente inorgânico e orgânico".
Atualmente, a definição de ecologia (do grego oikos - casa) está mais restrita ao estudo das relações entre organismos e o meio, enquanto o termo etologia (que para Haeckel era empregado como sinônimo de ecologia) se reserva ao estudo de costumes.

O ser vivo
Quando Lavoisier enunciou o princípio de que "na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma", estava falando em ecologia. E é fácil perceber que o cientista estava certo em sua análise do ser vivo e suas atividades básicas.
Segundo os pesquisadores, todo ser vivo é constituído de moléculas orgânicas, isto é, grandes moléculas formadas de extensas cadeias de carbono. Esse tipo de composto apresenta inúmeras vantagens para o organismo, devido ao seu grande tamanho, propriedades coloidais etc. Além disso, é um verdadeiro reservatório de energia.
Quanto mais extensa e complexa é a molécula, maior a quantidade de energia necessária para produzi-la. Por outro lado, maior será a quantidade de energia armazenada e disponível para as atividades vitais.
Nutrição é o processo de obtenção de matéria e energia do meio para a construção do organismo - e, portanto, o crescimento e multiplicação - e realização de suas atividades (movimentos, reações químicas diversas, manutenção de temperatura etc.).
Há duas maneiras básicas de nutrição. Ou os organismos se alimentam de compostos orgânicos já existentes no meio ou sintetizam e produzem esses compostos orgânicos.
Para a produção dos compostos, há necessidade de carbono obtido do gás carbônico e de grandes quantidades de energia. A fim de se alimentarem de compostos orgânicos, as espécies consomem outros seres vivos ou seus produto, pois na natureza, os compostos orgânicos são produzidos pelos seres vivos.
Pode-se dizer, então, que direta ou indiretamente, toda atividade vital na Terra depende da capacidade de produção de matéria orgânica.

A fotossíntese
Nem todos os seres vivos têm capacidade de produzir compostos orgânicos a partir de carbono não orgânico. Somente os chamados autótrofos (produtores), em sua maioria, utilizam a luz solar como energia para a síntese (produção). Os outros organismos, denominados heterótrofos (consumidores ou decompositores) dependem basicamente da existência dos primeiros para a sua sobrevivência.
Os seres autótrofos são todos vegetais. Os heterótrofos são os animais e alguns grupos vegetais, como os fungos (cogumelos, mofos, levedos) e muitas bactérias.
Os autótrofos têm um pigmento verde, a clorofila que, exposta à luz do sol, transforma o gás carbônico em alimento (compostos orgânicos), liberando o oxigênio. É o processo da fotossíntese que, para ser realizado, depende também da água.
A vida no nosso planeta depende, assim, da existência da luz, da clorofila e da água. Há exceções: algumas bactérias que sintetizam compostos orgânicos empregando a energia resultante de reações químicas que provocam no meio; mas isso é inexpressivo, em face da fotossíntese.

Respiração
O animal ou ser humano, ao ingerir compostos orgânicos obtidos direta ou indiretamente dos vegetais verdes, adquire, por este processo, sua reserva de energia disponível, que fica acumulada principalmente sob a forma de gordura ou de açúcares, nas células do corpo.
Para dispor dessa energia, basta que realize a reação contrária, isto é, transforme novamente estes compostos em gás carbônico: a transformação de um composto rico em energia em um outro composto pobre em energia levará, necessariamente, ao desprendimento ou restituição da energia acumulada, segundo o princípio de Lavoisier. Esta transformação é feita pelos animais com a intervenção do oxigênio: trata-se de uma reação de oxidação que recebe o nome de respiração.

Produção e consumo de alimentos
Em todo processo de respiração há destruição ou decomposição de compostos orgânicos. Ou melhor: na natureza, a todo processo de composição (produção de alimentos) segue-se outro de decomposição (análise).
Esse equilíbrio é condição fundamental à continuidade da vida, porque se a quantidade de energia solar é praticamente inesgotável, por sua vez, a quantidade de carbono e outros elementos constitutivos das moléculas orgânicas é limitada no ambiente habitado.
Assim, produzir e consumir alimentos são processos vitais em cadeia. Uma árvore produz frutos. Aparecem pássaros que se alimentam deles. A árvore é um ser produtor e os pássaros são seres consumidores primários, porque se alimentam desse produtor. O gavião, que devora o pássaro é um consumidor secundário. A onça, que come o gavião, é consumidor terciário e assim por diante.

Oxigênio
Pristley, no século 18 , fez uma experiência interessante. Colocou um rato sob uma campânula de vidro e uma planta sob outra. Ambos os organismos morreram depois de algum tempo. O primeiro por falta de oxigênio, e o segundo por não ter quem consumisse seu oxigênio. Em seguida, o cientista colocou outro ratinho e outra planta sob a mesma campânula e os dois sobreviveram.
Isso ilustra bem que a produção e o consumo de oxigênio é um processo fundamental à continuidade da vida no Planeta.
Os vegetais fotossintetizantes, ao produzirem compostos orgânicos, liberam, com subproduto da reação, oxigênio molecular que enriquece o meio. Eles produzem muito mais oxigênio do que necessitam, permitindo a respiração de todos os consumidores aeróbios (a respiração aeróbia é realizada em mais larga escala na natureza).
Com o consumo de oxigênio na respiração e equivalente ao oxigênio produzido na fotossíntese, assim como ocorre inversamente com o gás carbônico, essas substâncias se equilibram no ambiente atmosférico, mesmo levando-se em conta as taxas de respiração e fotossíntese das plantas nos períodos diurnos e noturnos. Assim, a equivalência das atividades de síntese e de decomposição é responsável, também, pela manutenção do equilíbrio entre esses gases na Terra.

Cadeias alimentares
A capacidade de produzir e utilizar compostos orgânicos existentes no meio varia de uma para outra espécie vegetal ou animal. Cada espécie apresenta, assim, exigências particulares ou específicas com relação à composição e estrutura do meio ambiente.
Dessa forma, segundo o professor Samuel Murgel Branco, "o tipo de alimentação de cada espécie é um dos mais importantes fatores ecológicos a determinar a existência, a abundância, a predominância ou o equilíbrio em um determinado ambiente".
Essas exigências particulares de alimento levam à existência de cadeias alimentares em cada ambiente ecológico. As cadeias se compõem de diferentes espécies de produtores e consumidores, uns sendo o alimento dos outros. Assim, a reprodução de cada um deles tem que ser suficientemente grande para, além de dar continuidade à própria espécie, fornecer o alimento indispensável à espécie que dela depende.
A destruição de um só dos elos dessa cadeia pode ter efeitos catastróficos, causando o desaparecimento total do elo seguinte (dependente do primeiro) e a superpopulação do meio pelo elo anterior. A eliminação de aranhas de uma região, por exemplo, pode causar o desaparecimento total do vespão que delas se alimentam e, consequentemente, a superpopulação de insetos.
O desequilíbrio pode ocorrer também com a introdução de um elemento estranho à cadeia e cuja proliferação se torna muitas vezes incontrolável. Por exemplo: a introdução do coelho na Austrália, para destruir cactos e plantas daninhas, gerou problemas ainda mais sérios que o anterior. O animal passou a dizimar plantações e não havia, na fauna local, outra espécie capaz de destruí-los.
Esses elementos estranhos podem ser também substâncias - fertilizantes, por exemplo - que o homem utiliza para elevar a produção por área. Essas substâncias nutrem excessivamente organismos autótrofos e heterótrofos, quebrando o processo de síntese e decomposição.
Quando se introduz, por exemplo, resíduos sólidos ou líquidos nas águas de um lago, isso pode conduzir a uma superpopulação de bactérias que consomem todo oxigênio, levando à morte peixes e outros seres aeróbios (processo de eutrofização).



(fonte de pesquisa: www.cetesb.gov.br)

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